segunda-feira, 26 de abril de 2010

Surpresas críticas.

Lembram que suprimi "um parágrafo filosófico sobre a estranheza e o não-pertencimento" em respeito ao meu amigo MM?! Pois não é que o danado agora tá cobrando o tal parágrafo!!?? Nem adiantou dizer que tava mal escrito.

Na verdade tenho refletido muito sobre esta minha condição de estrangeiro. No mundo moderno é muito difícil nascer estrangeiro. Mesmo se seu pai ou mãe se jogaram no mundo, são raros os casos de apátridas. Isso quer dizer que a maioria dos estrangeiros escolheu isso.

Muita gente já tentou entender o processo. A Julia Kristeva, num livro de que a academia não gosta, fez um retrato desse povinho. Gosto de livros de que a academia não gosta. Tomando algumas idéias da Kristeva, fico tentando me entender e mesmo decidir que caminho seguir. Acho que vivo o momento quando o estrangeiro se depara com uma enorme encruzilhada. Posso ser esse estranho, que vai olhar pra sua pátria de origem respirando aliviado por ter saído de lá e dizendo que nada pode fazer pra ajudar, ou posso ser estranho aqui, neste outro lugar ao qual não pertenço, onde vou sempre ter sotaque, onde não consigo nem sequer chegar ao fim de um jantar social porque não engulo 5 pratos (aliás, pra não fazer feio, como pouco, mas então faço feio porque as pessoas acham que não gosto da comida). Ou será que isso nem é encruzilhada e as 2 coisas estão, na verdade, juntas?!

Ainda não estou certo, mas acho que a grande pergunta é "quando" essa opção de ser estranho é feita. Será mesmo que isso aconteceu quando decidi tentar vir morar com o Patrick?! Ou eu já tinha escolhido ser estranho e só esperava a oportunidade de ir pro meu lugar de estranho? Porque, afinal, fala sério, não dá pra querer ser estranho depois dos 40 sendo funcionário público. Dá pra ser maluco, estranho, não!

Me enrolei? Acho que sim. Aceito idéias colaborativas.

Um comentário:

  1. Uma vez li um artigo que falava sobre como os expatriados, com o tempo e a distância deixavam de se identificar com o país de origem, o que pra mim, é ainda pior que respirar aliviado por ter deixado o "lar". Felizmente, estou longe disso. Morro de saudades do mar, da Lapa, do Rio (na alegria e na tristeza), mas já vi gente se tornando cidadão do mundo ao mesmo tempo que vira cidadão de lugar nenhum. E acho muito, muito triste...

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