Dia 01/04 voltei um tanto tarde, sozinho, de metrô e aconteceu algo que achei bem inusitado. Sentou de frente pra mim um cara que parecia ser do Oriente Médio, com uma barba muito volumosa e ao meu lado um rapaz de seus 20 e poucos com a cara mais francesa que posso imaginar. As pessoas, em geral, não costumam conversar no transporte público na Europa. Mas acho que, às vezes, a solidão, ou quem sabe a Lua, provocam coisas difíceis de explicar.
Uma pausa: vc já deve estar achando que adorei que rolou uma conversinha no vagão de metrô. Meu filho, certas coisas, melhor não serem ditas, muito menos ouvidas. Enfim...
Na estação seguinte, olhei pra plataforma oposta e tinha uma multidão de adolescentes chinesas. Digo chinesas por incapacidade de um chute mais específico. Mas quase todo mundo sabe que tenho conhecimento suficiente pra distinguir chineses, coreanos e japoneses. As meninas pareciam ter saído de um videoclip, todas com saia tipo colegial e os sorrisos mais amistosos nos rostos. Pois não é que elas se engraçaram comigo e começaram todas a acenar e falar ao mesmo tempo?! Claro que de dentro do trem, do outro lado da estação, não dava pra entender absolutamente nada (não que eu fosse entender chinês mesmo) mas acenei de volta.
Aí é que começou a coisa mais bizarra. O iraniano (o barbudo sentado à minha frente era iraniano) disse num inglês apenas compreensível: "essa gente é muito estranha, são todas iguais, são legais, mas todas exatamente iguais". Eu, tentando ser politicamente correto e esconder minha surpresa: "ah, de onde elas estão olhando, nós também devemos parecer todos iguais (mentira, nunca me achei igual ao iraniano da barba superdesenvolvida - confesso que até fiquei com um pouco de inveja da barba dele).
O trem partiu, as chinesinhas ficaram lá na plataforma sorrindo pro brasileiro que sumia no túnel e o show continuou no vagão. O iraniano disse que uma vez perguntou pra um chinês como ele não perdia os filhos quando eles se misturavam com outras crianças pra brincar. Fiquei tão desconcertado que pedi licença pra ligar pro Patrick e avisar que estava chegando. O iraniano puxou papo com o francesinho.
No final, o iraniano desceu uma estação antes de La Défense. Desci no final com o francesinho que puxou papo e me disse que tinha um grande amigo trabalhando na Embraer, em SJC.
Mundo pequeno e esquisito. Um iraniano, um bando de chinesas, um brasileiro que vai até La Défense, com um francês que tem um amigo em São José dos Campos. Mas a sensação é mesmo de que tem gente que não tem noção nem sequer do que não pode ser dito.
Ou será que somos todos mesmo tão iguais assim? Virgi!!!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
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