Tinha escrito aqui um parágrafo filosófico sobre a estranheza e o não-pertencimento, mas apaguei em respeito ao meu amigo acadêmico MM. Respeito e medo, porque ele não tem o menor dó de descer a lenha quando escrevo bobagem. Era filosofia ruim demais mesmo. Blog serve pra contar experiências (eu acho). E já consigo até ouvir o MM reclamando do tom do texto que perdeu o que os posts de ontem tinham. Quem mandou elogiar?!
OK, voltando à minha vidinha em Paris... e ao bem menos politicamente correto. Isso é um aviso pra quem quiser parar a leitura por aqui (ou talvez mais uma promessa/provocação/propaganda pra quem anseia pelos detalhes sórdidos).
Franceses bonitos!!
Os únicos franceses bonitos que vi até agora foram os negros de origem africana. Sabe, bonitos mesmo? Aquele carão que vc olha no metrô e fica impressionado. Posso dizer que já vi uns 20 negros com cara de modelo nos lugares mais improváveis. E nenhum homem de origem eurasiana que pudesse chamar ao menos de "bonitinho". Já as mulheres bonitas estão entre as caucasianas também. Aquelas de origem tipicamente francesa. Não, não mudei minhas preferências. Só tô falando de beleza, nada a ver com tesão.
Franceses e cães.
Acho que diferentemente dos ingleses, os franceses brincam e tocam mais os cachorros dos outros. Na Inglaterra, tenho a impressão, ninguém toca um cachorro que não seja seu. Aqui, até no metrô (sim, os cachorros andam de metrô o tempo todo ao lado dos donos), as pessoas fazem carinho no cachorro do outro.
Paris e os pobres.
Fiquei chocado com a quantidade de gente pedindo esmolas no metrô. Claro que tem as ciganas e tem os acordeonistas (entre outros músicos), mas o que me chama atenção são outras pessoas que estão também esmolando. O Patrick me explicou que essa gente, sem emprego, deve receber só cerca de 500 euros por mês, o que não é suficiente pra sobreviver em Paris. Sei que é mais um preconceito meu, mas o fato é que não esperava.
Parisienses e o frio.
Eles são definitivamente mais friorentos que os ingleses. O que me faz sentir menos estrangeiro!! Hoje de manhã eu era a pessoa menos agasalhada de todo o trem ;-)
Falando em trem, como toda cidade européia com uma malha de transporte coletivo bem desenvolvida, Paris sempre oferece muitas possibilidades. Descobri que prefiro pegar o trem ao metrô ou RER pela manhã, pra ir à escola. Acaba demorando o mesmo tempo, mas evito a estação subterrânea de La Defénse que é pra lá de feiosa, em contraste com aquela praça bonita da superfície que aparece nos cartões postais.
E então, mostrei que tenho preconceito? Acho muito ingênuo quem diz que não tem. Pra mim, não tem preconceito quem sabe tudo ou quem não diz nada. Nem me aproximo de nenhuma das 2 categorias. Lembrei agora da minha amiga que visitou a Suíça e me contou chocada que lá os caras têm tanto dinheiro, mas taaaaanto dinheiro, que aparam a grama até dos morros. "É tudo um grande jardim!! O país inteiro como um cenário, um parque!" Um dia acabei descobrindo que, na verdade, na Europa é preciso guardar feno pros animais comerem quando a neve e o gelo cobrem tudo. Minha amiga deve ter descoberto isso também. Mas, cacete, como é que a gente ia saber, se as cabritinhas não param de pular e as vacas tão sempre mugindo, andando, pastando e cagando nos campos brasileiros nas 4 estações do ano?!
Num próximo post vou falar de alunos de FLE (francês como língua estrangeira) e minhas aventuras na escolinha.
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