segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sábado de primavera...




Patrick foi pro seminário de sofrologia logo cedo. Saí de casa às 13h. Logo de cara, na praça ao lado de casa tem essa árvore que eu, como bom brasileiro, só sei que se chama "árvore". Claro que ela tem uma espécie, uma subespécie, um gênero e, provavelmente, até um nome popular mais específico que "árvore". Minha mãe saberia mas eu, vergonhosamente, tenho que chamar mesmo de "árvore". Bem, é uma árvore muuuuito florida. Como se ela estivesse fazendo uma "performance" de primavera aqui em Courbevoie, ao lado do Centro Comercial Charras onde moramos.

Caminhei 15 minutos até o metrô em La Défense, de vidro e concreto, mas o jardim de tulipas (mandei bem, agora, hein?!) faz a gente parar um segundinho pra outra foto. E não tem jeito... sempre acho que só existem tulipas de plástico ;-)

Acabei preferindo o RER ao metrô. Em exatos 10min chego à estação Les Halles. Centrão turístico de Paris. É só virar à direita no "boulevard Sébastopol", em 5 min de caminhada cruzo a "Pt au Change" e de lá, mais umas fotinhos com a "Pont Neuf" ao fundo. Atravesso a "Île de la Cité", a "Pont St. Michel" do outro lado e voilá!

Chego à Gibert Jeune, uma livraria que é um paraíso. Como aqui os livros têm preço tabelado, o grande barato da GJ são os livros de "ocasião", usados ou um pouco danificados na loja mesmo. Vi um monte de coisa interessante. Mas acabei comprando 2 CD-roms novos pra estudar vocabulário e ortografia do francês. É mais prático fazer isso no meu laptop. E meu exame tá chegando ;-)

Dali, fui ao Marais, bairro gay e também muito turístico, cheio de gente andando pelas ruas estreitas e tortas como as fachadas dos prédios. Rodei por mais de uma hora procurando um café simpático. Acabei achando um completamente vazio, com o proprietário sentado numa das mesas ao fundo. Um velhinho com cara de poucos amigos. Perguntei se podia sentar em qualquer lugar e ele me ordenou que sentasse numa mesa ao fundo, ao lado da dele. Enquanto esperava pelo chocolate quente e torta de limão notei na vitrine um aviso que proibia o uso de computadores dentro do café. Quando eu já aproveitava do que comprei, o velhinho quase estilhaçou um copo na minha mesa e disse: "um presente"! Um copinho de suco de banana, laranja, abacaxi e outra fruta que esqueci ;-). Quando saí ele já tava ocupadíssimo atendendo quase todas as mesas tomadas, curiosamente, só por franceses: um casalzinho de uns 17 anos; um senhor e duas senhoras, duas mulheres com um bebê, tomando mamadeira; uma mulher com dificuldade de locomoção que parecia ser cliente fixa. Ah, claro que tive vontade de fotografar, mas e o medo de pedir permissão?!!

Caminhei até a "rue de Rivoli", onde tava rolando um desfile de moda masculina na calçada. Um modelo negro, com o corpo esculpido em academia, tirava a camisa pra umas garotas com cara de nórdicas soltando gritinhos e pedindo mais. Nessa hora o Patrick ligou dizendo que tinha saído do seminário. Já eram 17h30 e, como ele estava de carro e
eu, ao lado da estação de metrô St. Paul, resolvi encontrá-lo em casa.

Cheguei às 18h00 e, mal entrei, o Patrick já estava me esperando pra passearmos no parque da Floresta de "La Malmaison". Em 15 minutos de carro chegamos ao que parece ser quase outro planeta. Não dá pra acreditar que tão perto da cidade exista algo tão tranquilo.


Voltamos pra preparar o jantar, recebemos a msg do Mauricio, que tá preso nas Ilhas Canárias por causa d"a nuvem". Fiquei preocupado, liguei pra várias pessoas em diversos países, inclusive pra Zefa, porque o Manolo me lembrou do aniversário dela, não ajudei quase nada com o jantar (só a salada). Abrimos um bom Bordeaux. É assim, durante a semana tomamos o bom "vin de pays", que é o vinho barato, só que é vinho francês, né?! ;-) Como era sábado, o Patrick abriu o Bordeaux, mais leve. É tudo parte da minha dieta pra baixar o colesterol.

Às 23h o Patrick estava se preparando pra dormir, porque vai ter outro seminário de dia inteiro no domingo, quando chegou a notícia de que o tio de 60 anos, internado com câncer de pâncreas, faleceu. Patrick ficou muito chocado, porque foi rápido demais.

Fui pra sala instalar meus CD-roms de francês. "A nuvem" continua latindo lá em cima e a vida passa aqui no chão.

Bjs,

I

2 comentários:

  1. Maravilha!
    Já te disse isso, mas o texto é maravilhoso! Faz a gente sentir vontade de voltar a caminhar pelas lindas ruas de Paris. Mas é ótimo "vê-la" pelos olhos de alguém que a gente conhece bem!

    ResponderExcluir
  2. Que legal, parece que estou vivendo contigo... ;-))
    Que bom de te ler, de te ver, de fazer coisas juntos... e de ler de novo o que esta acontecendo pelo outro Ivan, aquele que tira fotos e escreve.
    Um pouco mais de Ivan ;-)) (sera que estou apaixonado ?)

    ResponderExcluir